Sinal Vermelho: Renata Gil participa de live no Instagram da atriz Giovanna Antonelli

Ascom AMB

 

Juiz Samer Agi (TJ-DF) também debateu o sucesso da campanha de enfrentamento à violência contra a mulher

A Sinal Vermelho tem reacendido o debate sobre as preocupantes estatísticas de agressões e feminicídio no país. A presidente da Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB), Renata Gil, e o juiz Samer Agi (TJ-DF) conversaram sobre o aniversário de um ano da campanha e seus impactos à sociedade. A conversa foi transmitida ao vivo pelo Instagram da atriz Giovanna Antonelli, uma das celebridades que ajudou a viralizar a iniciativa nas redes sociais.

A Sinal Vermelho tornou-se um símbolo de proteção à população do gênero feminino. A campanha mobilizou mais de 11 milhões de pessoas nas redes sociais. Libertou milhares de mulheres que fizeram um simples sinal nas mãos para quebrar, muitas vezes, um antigo ciclo de agressões.

A presidente da AMB, Renata Gil, destacou a adesão cultural do “X” pelo Brasil. “A Sinal Vermelho está em diversas culturas e lugares. Nós tivemos o relato de uma indígena, no munícipio baiano de Caraíbas, que reconhece o “X” na palma da mão como pedido de socorro. A campanha é inclusiva, une povos e Poderes no enfrentamento à violência contra a mulher”, disse.

Renata Gil ressaltou ainda os avanços da campanha que já virou Lei em dez estados e no DF, e a aprovação do Pacote Basta (PL 741/2021), por unanimidade, pela Câmara dos Deputados, que institui nacionalmente a Sinal Vermelho. O texto será analisado pelo Senado Federal.

A violência psicológica foi apontada pelos magistrados como um fator preocupante, porque nem sempre é vista pela vítima e pela sociedade como forma de agressão. O juiz Samer Agi (TJ-DF) explicou que essa prática ocorre sob o pretexto do agressor de proteger a vítima, porém, na verdade, é uma maneira de aprisioná-la.

De acordo com o juiz Samer Agi (TJ-DF), o comportamento do agressor, em geral, caracteriza-se pelo sentimento de propriedade em uma sociedade ainda patriarcal. De acordo com os debatedores, essa cultura de violência pode mudar com a interação de uma rede, em especial, com a participação do sistema educacional. E, nesse contexto, defenderam a inclusão do tema na grade curricular das escolas para que as crianças aprendam que agressão contra mulheres não é algo normal, e as meninas tenham consciência da necessidade de denunciar os abusos.

Atuação do Poder Judiciário

A presidente da AMB pediu ao juiz a avaliação sobre atuação do Poder Judiciário no enfrentamento à violência contra mulher.

“Eu acho que o Poder Judiciário nunca trabalhou tanto e tão bem. Acordou para a necessidade de estar mais próximo da sociedade. É preciso que o Judiciário se mostre para povo. As pessoas precisam conhecer seus juízes para que se sintam acolhidas, tenham o sentimento de proteção e não de medo”, opinou o juiz Samer Agi (TJ-DF).

A campanha tem inspirado muitos estados a incorporar a Sinal Vermelho dentro das estratégias integradas com o engajamento das forças de segurança para combater este tipo de violência. O ministro da Justiça, Anderson Torres, prometeu que sairá do papel a proposta da AMB de criar uma estratégia de combate à violência contra as mulheres nos moldes da Estratégia Nacional de Combate à Corrupção e à Lavagem de Dinheiro.

“Queremos que a Lei Sinal Vermelho se torne federal. Paralelo a tudo isso, nós estamos numa intensa articulação junto aos Poderes, pleiteando a criação da estratégia nacional de combate à violência contra mulher. Nós entendemos que toda estatística, estratégia e metas devem ser centralizadas no país para que a gente consiga melhorar esse cenário, que hoje é tão trágico”, afirmou a presidente da AMB, Renata Gil.

Os debatedores agradeceram a oportunidade de debater o tema no Instagram da atriz Giovanna Antonelli. “Agradeço à atriz Giovanna Antonelli por disponibilizar o Instagram para o debate e pelo engajamento à campanha. E digo que você, mulher, é a mudança que você quer ver no mundo. Saiba que eu luto pela vida e pela liberdade das mulheres. Eu quero ver você livre. Conte com o Judiciário para conseguir esse espaço”, concluiu a presidente Renata Gil.

O juiz Samer Agi (TJ-DF) acrescentou também: “não há nada mais bonito e inspirador do que estar com uma mulher que pensa grande e vai atrás dos sonhos. Homens que se inibem com sua postura são homens que você não gostaria de ter por perto. Mulher que cresce inspira outras”, afirmou.


Daiane Garcez (ASCOM)

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